Sapatos velhos

17:00 0 Comments

Nessas caminhadas pela vida,
Meus pés já se encheram de feridas
A cada saída, uma cicatriz diferente surgia
E a dor não desaparecia.

As feridas diminuíram, quando comprei sapatos novos,
Mas meus pés se encheram de calos dolorosos
Depois que os sapatos ficaram velhos,
se tornaram meus melhores amigos
Já não me davam calos,
e me protegiam nas horas de aflito.

Não é à toa que as amizades são que nem sapatos velhos
No início podem te dar calos,
mas depois que eles amoldam-se aos pés,
são os que menos te machucam e os que mais te protegem.

E eu, quando criança, não entendia o conselho da minha vó,
ao me calçar com aqueles sapatos velhos, me dizendo :
“Menino, não sai descalço por ai! É mais fácil de te machucar...”

(B.C.)

Cartas de amor

17:22 1 Comments

Tenho muitas cartas que prometiam amor eterno
Não duraram mais que alguns anos
Outras duraram mais que alguns meses

Tenho muitas cartas prometendo o amor que se busca a vida toda
E que nessa busca muitas vezes tola
se pensa ter achado
Mas logo se torna apenas tinta no papel amassado

Guardo numa caixa verde todas essas cartas de amor

O que era ontem

18:39 0 Comments

Era uma vez um homem
Que era até de se admirar
Embora só pudesse dizer o que ele era ontem,
Pois no dia seguinte voltava a mudar

Uma hora era santo,
Outra hora voltava a pecar
Um dia entrava em pranto,
Outro passava o dia a se alegrar

Era uma vez um homem
Que era até de se admirar
Sabia o que queria hoje
Mas amanhã voltava a se enganar


Então, um dia, disseram ao homem o que teria que fazer,
para não ficar por ai mudando toda hora sem o porquê
Deram-lhe uma corrente que prendiam os pés e disseram:
Agora estás livre!
B.C.

Deus

17:52 0 Comments

Deus,

Soneto de adoração

16:26 3 Comments

Surge nos parques abundante
Brisa leve que em tua aura ecoa
Onde o verde, ante teu semblante
Cala, ajoelha e te rebaixa a lousa

És tu quem reina neste paraíso
A ti se rendem as flores mais belas
Cantando, tentam os pássaros arrancar-te o riso
Dançando, o bosque inteiro tem em ti sua meta

E se o sol esconde-se no horizonte
Tu como astro impera
E a lua some, atrás das nuvens, por inveja.

És a beleza de todas em uma só
És afrodite
És o que Deus fez de mais belo do pó.

(D.B e B.C. )

Retrovisor

17:49 1 Comments

Sigo a estrada na quinta marcha
Já faz tanto tempo que nem sei quando começou esta jornada
Cabelos ao vento e nenhuma curva a vista
Os olhos cansados de olhar a pista

Vejo diversas entradas
Onde será que elas vão levar?
Ao mesmo destino que me leva essas passadas?
Meu espírito aventureiro começa a se perguntar

Mas essa estrada é um tapete
Teria motivo para desviar desse caminho promissor?
Mas insisto por um tempo a olhar no retrovisor
E as horas passam como um foguete

Olho, mais uma vez, para o retrovisor
Parece que ainda vejo, lá atrás, a hora que estava feliz a dirigir
Olho para frente e nada parece animador
Na esperança de chegar ao destino, sigo a insistir

Se tomar outro caminho talvez possa me arrepender
A estrada é perfeita para andar
Então volta a escurecer
E eu olhando para o retrovisor já querendo voltar

O sol começa a aparecer no horizonte
E aquele espelho a minha fronte
Parece mostrar o motivo da minha dor
Começo a perceber que não se chega a lugar algum,
olhando somente para o retrovisor

B.C.

Poesia nova, verso velho

15:56 2 Comments

O gosto da tua boca tem sabor de passado
Mas se o presente não me chega sorrindo
Tento ter aquilo que já foi enterrado
Não me venha com velhos versos
Pois a poesia já se fez nova

B.C.